domingo, 01/11/2026

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Cidade canadense enfrenta desafios devido às tarifas impostas por Trump

A cidade de Témiscaming, no Quebec, vive um momento de incerteza econômica que remete a um passado turbulento. A fábrica de papel, que há mais de um século é a espinha dorsal da região,…

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A cidade de Témiscaming, no Quebec, vive um momento de incerteza econômica que remete a um passado turbulento. A fábrica de papel, que há mais de um século é a espinha dorsal da região, enfrenta uma paralisação indefinida após um colapso nas negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos. A imposição de tarifas elevadas pelo governo Trump resultou no desemprego de cerca de 360 trabalhadores, lançando uma sombra sobre o futuro da comunidade.

Para muitos moradores, como Nadine Suley, a situação vai além da perda de renda; é uma ameaça ao modo de vida que se formou ao redor da indústria madeireira. “Não é apenas um emprego. É a nossa casa”, reflete Suley, que se prepara para a temporada de caça como uma alternativa à incerteza econômica. A cidade, que já viu seus imóveis desvalorizarem drasticamente, agora enfrenta o temor de se transformar em um lugar fantasma, caso a situação não mude.

A decisão da RYAM, proprietária americana da fábrica, de interromper as atividades por motivos econômicos, ecoa um sentimento de desamparo entre os residentes. O prefeito Alain Gauthier critica as tarifas americanas, afirmando que elas representam “uma bomba destinada a acabar com nossa produção industrial”, e clama por uma resposta do governo canadense que inclua tarifas sobre produtos importados dos EUA.

Embora a economia canadense como um todo tenha se mostrado resistente, com uma taxa de desemprego estável, setores diretamente impactados, como o de madeira e papel, sentem o peso das tarifas de até 50%. A falta de apoio específico ao setor florestal levanta questões sobre a eficácia das políticas do governo liderado por Mark Carney, que recentemente anunciou pacotes de auxílio a outras indústrias, enquanto Témiscaming aguarda por uma solução.

Historicamente, a cidade já superou crises anteriores, como em 1973, quando os trabalhadores se uniram para comprar a fábrica. Hoje, há uma nova esperança de que isso possa acontecer novamente, mas para que a recompra se concretize, é essencial o apoio governamental. “Esperamos que o raio caia duas vezes no mesmo lugar”, diz Stéphane Lefebvre, líder sindical, ressaltando a necessidade de um forte apoio político e financeiro.

Enquanto isso, os moradores mantêm seus olhos nas próximas eleições nos Estados Unidos, na esperança de que uma mudança política possa aliviar a pressão das tarifas. “Estamos no jogo 7 agora”, afirma Lefebvre, expressando a determinação da comunidade em lutar pela recuperação da fábrica e, consequentemente, por seu futuro.