quarta-feira, 28/10/2026

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Ministro da Fazenda defende equilíbrio fiscal sem medidas radicais, enquanto Flávio promete cortes significativos.

Em meio a um cenário econômico desafiador, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou nesta sexta-feira (23) a posição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao ajuste das contas públicas.…

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Em meio a um cenário econômico desafiador, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou nesta sexta-feira (23) a posição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao ajuste das contas públicas. Em uma entrevista ao Uol, Durigan defendeu que a proposta do governo visa uma correção fiscal responsável, sem medidas drásticas que poderiam comprometer a economia nacional.

O ministro destacou a necessidade de evitar um ajuste de R$ 200 bilhões em um único ano, considerando-o irrealista. “É necessário melhorar a situação fiscal, mas sem retrocessos. Um corte tão abrupto seria difícil de implementar e não teria clareza”, afirmou, referindo-se às promessas de ajustes mais severos feitas pela oposição.

As preocupações com a trajetória das contas públicas são recorrentes entre analistas econômicos, que apontam os déficits fiscais dos últimos anos como um fator que pressiona as taxas de juros e aumenta a dívida pública. Para muitos, um ajuste fiscal mais robusto é essencial para estabilizar a economia, especialmente em tempos de desaceleração.

Flávio Bolsonaro, concorrente de Lula no segundo turno das eleições, tem defendido um “tesouraço” nos gastos públicos, prometendo um ajuste mais rápido. Sua campanha enfatiza a necessidade de equilíbrio fiscal e combate à corrupção, mas críticos apontam que essa abordagem pode ser incompatível com a manutenção dos compromissos sociais assumidos, como o aumento do salário mínimo e a proteção dos programas sociais.

Durigan, por sua vez, reiterou que a proposta do Partido dos Trabalhadores é promover um ajuste gradual, com uma meta de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Essa estratégia prevê a transição de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,6% em 2030, um desafio que muitos especialistas consideram ambicioso, especialmente à luz dos compromissos sociais do governo.

De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), para estabilizar a dívida pública, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB, o que coloca em evidência a complexidade da situação fiscal do Brasil e a necessidade de um debate aprofundado sobre as melhores estratégias para garantir a saúde econômica do país no futuro.