quarta-feira, 28/10/2026

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Impacto do El Niño pode levar a queda de 10% na produção de soja no Brasil, segundo projeção da Serasa.

A safra de soja brasileira para 2026/27 enfrenta um cenário desafiador, com projeções alarmantes que indicam uma possível queda de 10% na produção, conforme estudo da Serasa Experian. A pesquisa aponta que, em um…

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A safra de soja brasileira para 2026/27 enfrenta um cenário desafiador, com projeções alarmantes que indicam uma possível queda de 10% na produção, conforme estudo da Serasa Experian. A pesquisa aponta que, em um ano marcado por um forte fenômeno de El Niño, a produção pode despencar de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas.

Como maior produtor e exportador de soja do planeta, o Brasil observa com atenção as variáveis climáticas que podem impactar sua principal cultura agrícola. A previsão da Serasa leva em conta um aumento na área plantada, que deve chegar a 49,9 milhões de hectares — um crescimento de 1,8% em relação à safra anterior. Contudo, mesmo com essa expansão, os produtores podem enfrentar sérios problemas devido à falta de chuvas e temperaturas elevadas, particularmente nas regiões do Centro-Oeste.

O estado de Mato Grosso, responsável por uma significativa parcela da produção nacional, pode ver uma redução de 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás pode perder até 4 milhões. Esses números preocupantes foram divulgados em um momento em que o plantio avança em várias partes do país, exceto no Sul, onde as chuvas excessivas têm atrasado os trabalhos nos campos.

Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa, destaca que a atenção dos produtores deve se voltar não apenas ao plantio, mas também à distribuição das chuvas durante o ciclo de desenvolvimento da soja. “O risco climático não se limita mais à implantação; a forma como as chuvas vão ocorrer nos meses críticos de novembro e dezembro será determinante para a produtividade”, alerta Oliveira.

O impacto econômico da redução na produtividade é alarmante. A Serasa estima que as perdas possam chegar a R$ 33 bilhões, considerando os preços de agosto. É importante ressaltar que uma oferta menor de soja poderá, paradoxalmente, elevar os preços, alterando as dinâmicas de comercialização. No entanto, não se pode ignorar que o fenômeno do El Niño pode beneficiar algumas regiões, como o Rio Grande do Sul, onde a produção pode aumentar em 5,5 milhões de toneladas devido à maior pluviosidade associada a esse fenômeno.

O estudo revela que, em um cenário pessimista, 13 estados podem sofrer perdas significativas, enquanto apenas quatro unidades da Federação teriam pequenos ganhos. Além de Mato Grosso e Goiás, estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão estão entre os mais afetados. A situação exige atenção redobrada dos produtores, que precisam se preparar para um ano que promete ser repleto de desafios e incertezas climáticas.