quarta-feira, 28/10/2026

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Argentina planeja demissão de 20 mil servidores públicos, após 77 mil cortes recentes sob governo Milei.

Em uma medida que visa intensificar a reforma administrativa, o governo argentino anunciou, nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária com a meta de eliminar 20 mil vagas na administração pública. Essa iniciativa…

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Em uma medida que visa intensificar a reforma administrativa, o governo argentino anunciou, nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária com a meta de eliminar 20 mil vagas na administração pública. Essa iniciativa se insere em um contexto de cortes significativos, totalizando mais de 77 mil postos eliminados desde a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023.

Com previsão de um mês de duração a partir de 1º de novembro, o programa oferece compensações financeiras que variam com base na idade e no tempo de serviço dos servidores. No entanto, aqueles que optarem por aderir ficarão impedidos de retornar ao serviço público por um período de oito anos. O decreto publicado no Diário Oficial justifica a medida como um esforço para alcançar uma “adequada e eficiente alocação dos recursos públicos”.

O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, destacou em suas redes sociais que o governo está em busca de formas de reduzir gastos para possibilitar cortes de impostos. Essa estratégia, no entanto, gerou reações adversas, especialmente do sindicato dos servidores públicos, a Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), que organizou uma marcha em protesto, classificando o programa como uma “demissão extorsiva”.

A política de austeridade implementada por Milei, que ficou conhecida como “motosserra”, tem como alvo principal o funcionalismo público. De acordo com dados divulgados por Sturzenegger, 21% dos postos de trabalho do Estado foram extintos desde dezembro, o que equivale a aproximadamente 77,5 mil empregos. A situação é ainda mais alarmante no setor privado, que também enfrentou a perda de 270 mil postos de trabalho durante o mesmo período, conforme informações de fontes sindicais.

A crise econômica argentina é caracterizada por medidas rigorosas de austeridade fiscal, que visam equilibrar as finanças do governo, mas que têm contribuído para um cenário de queda da atividade econômica. Embora Sturzenegger afirme que 400 mil novas vagas foram criadas, é importante ressaltar que muitos desses empregos são informais ou autônomos. A informalidade, por sua vez, cresceu três pontos percentuais nos últimos três anos, atingindo cerca de 45% do mercado de trabalho argentino.

Enquanto o governo busca consolidar suas políticas de austeridade, o contraste entre crescimento econômico e o aumento da pobreza e do desemprego continua a desafiar a administração Milei, levantando questões sobre a sustentabilidade e a eficácia de suas medidas.

Crédito da imagem: Milei chama ONU de 'inútil' em discurso na Assembleia Geral