quarta-feira, 28/10/2026

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Candidatos nos EUA intensificam disputa sobre afinidade com a cultura do churrasco

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão revelando um aspecto inusitado da disputa política: a carne se tornou um tema central na batalha entre democratas e republicanos. Os candidatos não apenas…

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão revelando um aspecto inusitado da disputa política: a carne se tornou um tema central na batalha entre democratas e republicanos. Os candidatos não apenas discutem questões como a inflação e a política externa, mas também competem para saber quem pode melhor se conectar com os eleitores através do alimento.

Um exemplo recente ocorreu no Mississippi, onde Scott Colom, o candidato democrata ao Senado, lançou um vídeo provocativo contra a senadora republicana Cindy Hyde-Smith. Em uma declaração que gerou polêmica, Hyde-Smith sugeriu que, se os preços da carne bovina estão elevados, “há muitas outras opções de proteína”. O vídeo, então, apresenta um homem na churrasqueira afirmando: “Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador.” Essa tática inusitada subverte o estereótipo de que os democratas são os que tradicionalmente atacam o consumo de carne.

Enquanto isso, em outros estados, a narrativa é bem diferente. Os republicanos têm se esforçado para retratar os democratas como avessos à carne, tentando evidenciar um suposto distanciamento cultural dos eleitores locais e uma falta de masculinidade. No Texas, por exemplo, um vídeo de James Talarico, que já foi alvo de críticas por ter optado por uma dieta vegana, foi resgatado pela oposição. Desde então, Talarico se esforça para mostrar seu lado ‘texano’ ao ser visto em eventos comendo churrasco.

No Colorado, a situação é semelhante, mas com nuances distintas. O candidato democrata Manny Rutinel, que tem um histórico de ativismo em defesa da redução do consumo de carne, está enfrentando ataques contundentes de Gabe Evans, seu oponente republicano. Os republicanos exploram o passado de Rutinel, que inclui sua associação com a PETA e sua fundação de uma organização voltada para questões climáticas. Rutinel, por sua vez, tenta contrabalançar a imagem negativa associada ao veganismo aparecendo publicamente consumindo carne.

Em uma entrevista, Rutinel destacou que as preocupações dos eleitores provavelmente vão muito além do que ele come. “Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles”, afirmou. Para Evans, no entanto, a questão é mais ampla: “Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma”.

Essa nova dinâmica eleitoral mostra como o consumo de carne se entrelaça com identidades culturais e políticas nos Estados Unidos, refletindo um cenário onde a alimentação pode ser vista como uma metáfora para a luta pelo poder e pela representação. À medida que a campanha avança, fica claro que os pratos dos candidatos podem muito bem se tornar um campo de batalha nas eleições deste ano.

Crédito da imagem: Imagem de carne bovina nos EUA