quarta-feira, 28/10/2026

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China amplia presença no mercado brasileiro de carnes com preços competitivos no frango

A China está vivenciando uma transformação significativa em sua produção agropecuária, superando a capacidade de consumo interno e exportando um excedente considerável, especialmente de carnes e laticínios. Essa mudança não é apenas uma questão…

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A China está vivenciando uma transformação significativa em sua produção agropecuária, superando a capacidade de consumo interno e exportando um excedente considerável, especialmente de carnes e laticínios. Essa mudança não é apenas uma questão de volume, mas reflete uma estratégia governamental voltada para a segurança alimentar e a adaptação às novas preferências de consumo da população. Como resultado, mercados antes dominados por países como o Brasil estão vendo a ascensão da carne e laticínios chineses.

Recentemente, dados da Reuters revelaram que, em 2025, a China exportou impressionantes US$ 2,6 bilhões em produtos de frango, quase o dobro do valor registrado em 2020. A transformação é tão contundente que, no ano passado, o país se tornou exportador líquido de carne de frango, uma mudança que sinaliza um novo capítulo na dinâmica do comércio global de proteínas.

Tradicionalmente, a carne suína era a estrela da dieta chinesa, mas uma mudança nos hábitos alimentares, especialmente nas áreas urbanas, está moldando o futuro do consumo. O consumo per capita de carne suína caiu 13% desde 2023, enquanto a procura por frango aumentou mais de 50% na última década. Mesmo com a desaceleração econômica, a produção de carne suína atingiu um recorde de 59 milhões de toneladas em 2025, e a produção de aves cresceu 7% no mesmo período.

Uma das razões que favorecem a expansão das exportações chinesas é o preço competitivo. O frango produzido na China pode custar de 10% a 20% menos do que o brasileiro, atraindo compradores internacionais que buscam alternativas mais acessíveis. A empresa Branexx, por exemplo, começou a importar frango chinês após receber demandas de clientes africanos em busca de opções mais baratas.

A presença chinesa no mercado global já é visível nos números. Na União Europeia, a participação da China no setor de produtos de aves processadas dobrou desde 2022, alcançando 10%, enquanto no Reino Unido, o aumento foi ainda mais significativo, superando 14%. Essa dinâmica representa um desafio crescente para produtores europeus e asiáticos, além de potencialmente pressionar os exportadores brasileiros.

Além da carne, a China está ampliando suas exportações de laticínios, que devem atingir US$ 600 milhões em 2026, o dobro do valor de 2023. Essa expansão é impulsionada por subsídios e políticas de incentivo à produção em larga escala, que têm sido fundamentais para aumentar a oferta interna e recuperar rebanhos afetados por crises sanitárias, como a peste suína africana de 2018.

Entretanto, a indústria chinesa ainda enfrenta desafios relacionados à qualidade e segurança alimentar. A desconfiança do mercado internacional, alimentada por escândalos passados, exige que os produtores demonstrem a conformidade com padrões rigorosos de segurança e rastreabilidade. Com a União Europeia planejando reforçar a identificação de origem dos alimentos, a pressão por qualidade se intensifica.

Apesar desses obstáculos, a combinação de produção em larga escala e custos competitivos pode consolidar a presença da China no comércio global de proteínas, criando uma competição acirrada com os exportadores tradicionais. O futuro das exportações agrícolas chinesas promete ser tanto desafiador quanto repleto de oportunidades, à medida que o país se firma como um novo protagonista no cenário internacional.

Crédito da imagem: Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China