terça-feira, 03/11/2026

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Fatores explicam a alta das tarifas de energia elétrica no Brasil em comparação a nações com matriz energética similar.

Em um cenário em que a energia elétrica se tornou um dos maiores encargos financeiros para os brasileiros, a situação se agrava em locais como uma mini cidade na Zona Norte do Rio de…

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Em um cenário em que a energia elétrica se tornou um dos maiores encargos financeiros para os brasileiros, a situação se agrava em locais como uma mini cidade na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde uma fatura mensal de R$ 40 mil destaca a pressão que a conta de luz exerce sobre o orçamento dos moradores. Essa realidade impede investimentos em melhorias e ampliações no condomínio, conforme relata o síndico Jorge Lima.

O estudo elaborado pelo economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas, revela que a conta de luz no Brasil é desproporcionalmente alta, mesmo que o país dependa em grande parte de fontes renováveis para sua matriz energética. Embora a energia venha majoritariamente de hidrelétricas, com um aumento na participação de fontes eólicas e solares, a estrutura tarifária é complexa e onerosa. Em média, apenas 30,4% do valor da conta se refere ao custo da energia em si, com o restante sendo composto por tarifas de distribuição, encargos setoriais e tributações.

A situação é ainda mais complicada pela exigência legal de que parte da energia seja adquirida de termelétricas e por meio do sistema de bandeiras tarifárias, que penaliza o consumidor em períodos de seca. Em um comparativo global, o Brasil não é o país com as tarifas mais altas, mas ainda assim ultrapassa nações como Canadá e Noruega, que também têm perfis energéticos renováveis, mas conseguem oferecer preços mais acessíveis.

O impacto dessa realidade é sentido fortemente pelo setor produtivo. Indústrias, como uma de processamento de pescado, enfrentam desafios sérios para manter a competitividade no mercado global. O custo elevado da energia elétrica se reflete nos preços dos produtos, dificultando a sobrevivência de negócios. Para mitigar esses custos, a empresa investiu em energia solar e tecnologias mais eficientes, alcançando uma redução de 30% nas despesas com eletricidade.

Como aponta Cacio de Moura Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da Frescatto, a necessidade de uma política pública eficaz é urgente. Uma abordagem que favoreça a produção de energia limpa e barata não apenas beneficiaria o bolso do consumidor, mas também incentivaria o crescimento econômico, ampliação de empregos e um ciclo virtuoso de investimento no país. É crucial que o governo e as empresas se unam em busca de soluções que tornem a energia um elemento facilitador e não um obstáculo ao desenvolvimento.