A Anvisa emitiu um alerta sobre os perigos associados ao uso de canetas emagrecedoras caseiras que utilizam tirzepatida em pó. Essa substância, que tem ganhado notoriedade no tratamento da obesidade, representa um risco à saúde quando manipulada sem a supervisão de profissionais qualificados.
Um estudo do banco de investimentos J.P. Morgan aponta que o setor de medicamentos para emagrecimento, como os agonistas do receptor GLP-1, está em franca expansão. A previsão é de que o mercado, que atualmente movimenta cerca de US$ 6,6 bilhões (R$ 33 bilhões) em países como Brasil, China e Índia, chegue a impressionantes US$ 22 bilhões (R$ 110 bilhões) até 2035. O crescimento é impulsionado pela redução de preços e pelo aumento do acesso a esses tratamentos, ainda subutilizados nessas regiões.
Os medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly, têm mostrado eficácia no controle do açúcar no sangue e na redução do apetite. Essa classe de remédios é especialmente relevante em países com altos índices de diabetes e obesidade, como a China e a Índia, que juntas concentram uma parte significativa dos casos globais. No Brasil, aproximadamente 12% da população adulta é diagnosticada com diabetes.
Dados apontam que a taxa de obesidade está crescendo rapidamente em diversos países. Na China, por exemplo, espera-se que mais de 65% da população esteja acima do peso até 2030. Já na Índia, a taxa de obesidade deve chegar a 11% até 2035. Assim, os analistas do J.P. Morgan afirmam que os medicamentos GLP-1 estão se tornando uma questão de acessibilidade global, especialmente com a expiração de patentes e a introdução de versões genéricas.
Entretanto, o uso desses tratamentos ainda é limitado. No relatório, é destacado que menos de 0,1% da população chinesa e menos de 0,2% da indiana fazem uso de medicamentos da classe GLP-1, enquanto nos Estados Unidos esse número é de 4% a 5%. No Brasil, a expectativa é que apenas 7% a 8% da população obesa utilize esses medicamentos até 2035, comparado a 30% nos EUA.
A previsão é que a China se torne o maior mercado até 2027, superando o Brasil, com um potencial de movimentar US$ 13,7 bilhões (R$ 68,5 bilhões) até 2035. Já a Índia enfrenta desafios significativos, como resistência cultural e altos preços, dificultando a adoção desses tratamentos.
A análise do J.P. Morgan também menciona empresas que podem se beneficiar desse crescimento, como a chinesa Innovent e a brasileira RD Saúde, dono das redes de farmácias Raia e Drogasil. A expansão do mercado de medicamentos para emagrecimento, no entanto, deve ser acompanhada de perto, especialmente em relação à segurança e eficácia dos tratamentos.



