O Espírito Santo, conhecido por suas belezas naturais e urbanização crescente, abriga um fenômeno curioso: em 34 de suas cidades, a população bovina supera a de humanos. De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, o estado conta com impressionantes 2.164.541 bovinos, uma realidade que, embora fascinante, revela a predominância da atividade agropecuária em diversas regiões capixabas. Vale destacar que em 2023, esse número era 38, indicando uma ligeira redução nos municípios com mais gado do que habitantes.
Mucurici se destaca como a cidade com a maior densidade de gado, com 14 bovinos por cada morador, uma situação que reflete não apenas a cultura rural, mas também a vocação econômica local. Com 78.096 cabeças de gado e apenas 5.667 habitantes, a cidade simboliza o potencial da agropecuária na região. Ecoporanga e Ponto Belo seguem na lista, apresentando proporções igualmente impressionantes que revelam a força do setor no Noroeste e no extremo Norte do estado.
Por outro lado, a realidade em 44 dos 78 municípios capixabas é bem diferente; lá, a quantidade de bovinos é inferior ao número de habitantes. Marechal Floriano e Vitória figuram como as cidades com menor presença de gado, o que pode ser um reflexo de suas características urbanas e do desenvolvimento econômico voltado para outros setores. A média no estado é de um bovino para cada dois habitantes, uma relação que ressalta a importância do agronegócio na economia local.
Mesmo nas cidades onde a população bovina é maior, a relação entre humanos e gado se destaca. Por exemplo, em São Domingos do Norte e Pedro Canário, a proporção é equilibrada, com cerca de um bovino para cada morador. Já em Ibitirama, a diferença é mínima, o que revela a interdependência entre a população e a pecuária.
A Região Metropolitana de Vitória, que abriga a maior parte da população do estado, apresenta uma realidade distinta. Aqui, a relação é de 24 habitantes para cada bovino, um contraste notável quando comparado a áreas mais rurais. Na capital, Vitória, a discrepância é ainda mais acentuada, com um bovino para cada 2.890 moradores, uma situação que coloca a cidade na lanterna do ranking capixaba. Com apenas 119 cabeças de gado, reflete uma urbanização avançada que prioriza o desenvolvimento urbano em detrimento da agricultura.
Enquanto o Espírito Santo se transforma, a dinâmica entre a população e a pecuária continua a ser um tema relevante, revelando não apenas a diversidade econômica do estado, mas também as peculiaridades culturais que moldam sua identidade. O agronegócio se destaca como um pilar fundamental, mesmo em um cenário onde a urbanização avança rapidamente.
Crédito da imagem: Fazenda de gado de corte em Vila Velha, no Espírito Santo


